-Com um assunto de extrema relevância nacional, o blog sai um pouco de seu principal assunto, para repercutir um texto divulgado nesta sexta feira, 4, no site de informação Comunique-se. Leia a íntegra da reportagem de Carla Martin:
Isabella Nardoni: como escapar de uma nova Escola Base
Carla Soares Martin
"Primeiramente eu gostaria de falar que a imprensa, de certa forma, eu entendo que ela tem que apurar os fatos, porém não pode ser de uma forma tão agressiva como tem sido." Concedida à Rede Record, a entrevista de Alexandre Jatobá, pai de Anna Carolina Jatobá, madrasta de Isabella Oliveira Nardoni, de 5 anos, encontrada com parada cadiorrespiratória – sem conseguir resistir – no jardim do prédio em que morava, na Zona Norte de São Paulo, levanta uma discussão recorrente entre os jornalistas: como a mídia deve cobrir casos emaranhados de cunho policial?
No caso de Isabella, saltam aos olhos dois episódios: a declaração do delegado, capa do Diário de S.Paulo de terça (01/04), indicando o pai previamente como o principal suspeito do suposto assassinato, e a insistência – quase uma barreira – promovida pela imprensa para tentar falar com a mãe da menina, Ana Carolina Cunha de Oliveira, após o depoimento de quarta (02/04), e com o pai, Alexandre Nardoni e a madrasta, como relatado por Alexandre Jatobá.
Alex Ribeiro, autor do livro “Caso Escola Base: os abusos da imprensa”, relembra as acusações inverídicas feitas em 1994, pela Polícia Civil, e embarcada pela mídia, de que quatro sócias da Escola de Educação Infantil Base, em São Paulo, estariam abusando sexualmente das crianças, para falar do caso de Isabella.
Para o repórter do Valor Econômico em Brasília, “é impossível um caso desse não estar no jornal”. Pela sua relevância, contudo, Ribeiro aponta a tendência de a mídia entrar num “vale-tudo”, em que jornalistas se engalfinham por um furo, por uma declaração num momento de dor. “É preciso ter um respeito pela pessoa”, afirma Ribeiro.
Numa cobertura como a de Isabella, o autor de “Caso Escola Base” ressalta o cuidado com três fatores: analisar friamente o fato – sem pender para nenhum dos lados –; confrontar tecnicamente e juridicamente o trabalho do delegado antes de publicar sua posição; e procurar outras fontes – parentes, amigos. “É colocar o delegado na parede mesmo, antes de publicar.”
Da afiliada do SBT em Minas Gerais, Benny Cohen, editor da TV Alterosa, diz-se contra a “capacidade destruidora da mídia”. Há três anos, a emissora não divulga a identidade ou imagens de suspeitos de crimes, para não abalar, sem provas, suas reputações. “Defendemos o sagrado direito de defesa”, afirma Cohen.
O jornalista conta que, no começo, a redação ficou traumatizada. “Eles não achavam que poderiam escrever uma matéria sem os nomes”, lembra o editor. Tiveram de usar a criatividade para uma transformação que se deu de forma “lenta e gradual”. Hoje, Cohen tem certeza de uma coisa: “Aqui todo mundo dorme tranqüilo.”
Crianças
O caso de Isabella também entra na questão do direito da criança e do adolescente. Carlos Ely, jornalista responsável pela área de mobilização da Agência de Notícias dos Direitos da Infância, a ANDI, ressalta que, pelo fato de a menina ter morrido, não há problemas quanto à exibição de sua imagem.
Porém, se houvesse algum envolvimento de outras crianças no caso, como seus irmãos, não poderiam ser expostos.
Em casos nos quais a criança sobrevive, é obrigação do jornalista, segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), resguardar a identidade, por ter passado por situações de constrangimento como abuso, violência doméstica e trabalho infantil.
Sobre a cobertura do caso de Isabella, Ely acredita que a mídia não deveria ter exibido as declarações do delegado com um pré-julgamento. “Há um risco de se repetir a Escola Base”, afirmou.
Extraído de:

Um comentário:
Na minha opinião, como de praxe, a maior parte da imprensa está abordando esse lamentável caso da morte da pequena Isabella de forma sensacionalista, insensível e oportunista; buscando tão somente angariar a audiência dos sensibilizados e incautos leitores/telespectadores. Como pode um(a) idiota que se diz jornalista, perguntar para a mãe da menina ou outro parente, durante a missa de sétimo dia: "o que vocês estão sentindo neste momento?"
Dá vontade de responder: minha maior vontade no momento é te esbofetear!
Isso tudo sem contar a irresponsabilidade no trato com a informação, vide o caso "Escola Base", onde parte da imprensa ajudou a arrasar com a vida pessoal e profissional dos donos da mesma.
Parabéns pelo blog, Edu!
Abraço do Toninho Garcia - Insurreição Já!
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